Informação para a comunicação social

O jornalismo tem um papel essencial na nossa sociedade e na manutenção e promoção da saúde mental, especialmente nas circunstâncias atuais da pandemia COVID-19 no nosso país e mundo, sendo também uma peça fundamental no sucesso de qualquer programa de prevenção de suicídio. 

A literatura científica demonstra que a forma de expor uma notícia tem o potencial de prejudicar ou fortalecer os esforços de prevenção de suicídio.

As reportagens podem ajudar a minimizar a possibilidade de imitação por pessoas em risco, através de exposição educacional e não sensacionalista, abrindo o espaço ao diálogo e à redução do estigma. Pelo contrário, uma peça jornalística pode aumentar o risco de repetição e imitação, o chamado efeito Werther.

Como reportar? 

  • Educar a população sobre os factos do suicídio e a sua prevenção, sem propagar mitos – o suicídio não é um mecanismo de lidar com problemas pessoais ou de chamada de atenção. 
  • Esclarecer que os fatores contribuidores para o suicídio são complexos, multifatoriais e muitas vezes não totalmente compreendidos. 
  • Fornecer informação fidedigna e acessível sobre onde procurar ajuda e como o fazer: através de apoios na comunidade, linhas de apoio, Centro de Saúde, serviço de Psiquiatria e Saúde Mental e linha SNS 24 ou 112. 
  • Providenciar narrativas de superação da crise pode ajudar outros a adotar estratégias semelhantes. 
  • Mostrar sempre empatia e contenção ao entrevistar familiares e amigos.
  • Ter cuidado redobrados quando são reportados suicídios de celebridades ou pessoas em locais de destaque. 
  • Reconhecer que os próprios jornalistas podem ficar afetados quando reportam sobre o suicídio – deve ser assegurada a discussão aberta e o apoio interpares.

O que não fazer? 

  • Não colocar histórias sobre suicídio em locais de destaque, como capas de jornais, notícias de abertura, e evitar a repetição indevida das histórias. 
  • Não descrever detalhadamente o método usado 
  • Não fornecer detalhes sobre o local.
  • Não usar títulos sensacionalistas.
  • Não normalizar ou glorificar o suicídio.
  • Não usar fotografias, vídeos ou links que se relacionam com as circunstâncias do suicídio.

Precauções relacionadas com a linguagem utilizada: 

  • Não usar os termos “suicídio bem sucedido” ou “tentativa falhada de suicídio” ou “mal sucedida” – por implicarem que a morte é o efeito desejado.  
  • Não usar o termo “cometeu suicídio” – pela sua possível associação à prática de um crime. 
  • Usar os termos “suicídio”, “morte por suicídio” ou “tentativa de suicídio”.
  • Não usar linguagem sensacionalista ou normalizadora sobre o suicídio ou a doença mental (com uso dos termos fora do contexto exemplo “suicídio politico”), ou que apresenta o suicídio como uma solução construtiva para os problemas.

Na internet: 

  • Não partilhar vídeos ou áudio sobre o suicídio, especialmente se o local ou método são claramente apresentados 
  • Não usar fotografias da pessoa que faleceu, especialmente sem o consentimento da família 
  • Responder de forma ponderada, clara e factual a todas as dúvidas, preocupações ou pedidos de ajuda dos leitores, nomeadamente em caixas de comentários