• Informação para profissionais
  • Informação para profissionais

    A maioria dos doentes não refere espontaneamente os seus pensamentos ou planos de suicídio, mas o profissional de saúde deve manter-se atento aos sinais de alerta e conhecer os fatores de risco. 

    Uma consulta médica pode ser um pedido de ajuda e deve ser vista como uma oportunidade para intervir.

    Como falar sobre suicídio? 

    Procure começar a entrevista com uma pergunta aberta e não invasiva. Não faça juízos de valor. Dê espaço ao doente para descrever espontaneamente as suas queixas. “O que aconteceu nestes últimos dias?” pode ser uma boa forma de iniciar a conversa.

    Perguntar diretamente sobre pensamentos de morte e eventual plano suicida não leva a ideação suicida, nem precipita o comportamento suicidário. Pelo contrário, estas perguntas tendem a aliviar a tensão emocional e a levar a pessoa a falar abertamente sobre os seus pensamentos de suicídio.

    O que avaliar? 

    • Explore a ideação suicida ou, se aplicável, as circunstâncias da tentativa de suicídio. Apure sinais e sintomas como desesperança, humor deprimido, sentimentos de culpa ou fracasso, desespero aprendido, inquietação ou agitação, insónia persistente, perda de peso, lentificação psicomotora, astenia e isolamento social. 
    • Questione sobre fatores de stresse. Pergunte como se está a adaptar às atuais circunstâncias da pandemia. Esteja atento a situações de isolamento domiciliário e tensão familiar.
    • Recolha uma breve história clínica do doente. Tenha em atenção os antecedentes psiquiátricos (nomeadamente história de perturbações do humor, alcoolismo, abuso de substâncias, fases iniciais de demência, quadros confusionais) e tentativas de suicídio prévias.

    Como orientar o doente? 

    Quando existe um risco iminente de suicídio, o doente deve ser encaminhado para o Serviço de Urgência de Psiquiatria. Neste grupo incluem-se aqueles que têm uma grande probabilidade de passar ao ato por apresentarem intenção suicida ou um plano estruturado e os que têm fácil acesso a meios letais.

    Tenha especial atenção doentes com sintomas psicóticos (sobretudo alucinações auditivo-verbais imperativas) ou que expressam grande desesperança, desespero e pessimismo em relação ao futuro. 

    Não subvalorize o risco. Em situações menos urgentes, procure garantir a segurança do doente no domicílio, envolvendo familiares ou amigos próximos.

    Esteja atento ao acesso a meios letais e ao consumo de álcool e drogas. Mantenha um acompanhamento próximo do doente nos dias ou semanas que se seguem e considere o encaminhamento para o Serviço Local de Saúde Mental para avaliação especializada.